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O patrimônio chileno a apenas um clique

by em março 10, 2011

por IPS • Daniela Astrada • (Santiago de Chile)

tradução de Mariana Marcoantonio

leia aqui o artigo original em espanhol

Mais de 70 mil documentos digitais – entre eles livros, jornais, cartas, fotografias, imagens e registros de áudio e vídeo – são hospedados no premiado portal Memoria Chilena, que em 2011 comemora uma década de existência.

O mais importante arquivo de crítica literária da América Latina: entrevistas, comentários de livros, biografias e artigos de imprensa relacionados com a criação cultural chilena.

Memoria Chilena é um projeto muito querido do Diretório de Bibliotecas, Arquivos e Museus (Dibam), porque acredito que teve a inteligência e a intuição de começar quando ainda eram muito poucas as instituições que captavam o impacto que o mundo digital teria sobre os serviços de patrimônio”, afirma a diretora da Dibam, Magdalena Krebs. Graças a essa iniciativa, “conseguimos chegar muito além do que nunca havia sido possível antes, atendendo somente usuários presenciais”, explicou.

A borboleta Vanessa carye é a imagem que representa a “biblioteca digital” desse país austral de 17 milhões de habitantes. O site, nascido em 2001, difunde obras que pertencem às coleções da Biblioteca Nacional e de outras unidades da Dibam. Suas páginas hospedam obras literárias, musicais, filosóficas, antropológicas e historiográficas, além de revistas, jornais, artigos, manuscritos, cartas, mapas, planos, fotografias, imagens e registros de áudio e vídeo.

No começo de janeiro, o projeto recebeu o Stockholm Challenge Award 2010, conhecido como o “Nobel da internet”, na categoria de melhor iniciativa cultural. “Memoria Chilena é um projeto que destaca a importância das bibliotecas e das tecnologias de informação e comunicação (TIC) para manter a cultura viva”, opinou o jurado.

Desde 1994, esse prêmio vem distinguindo projetos sociais no campo das TIC. Este ano, competiram mais de 290 iniciativas de 90 países. “O prêmio nos permite aumentar a visibilidade do projeto e sobretudo nos tranquiliza quanto à qualidade do que estamos fazendo”, comentou Krebs. Ademais, receberam um incentivo econômico de mil euros (1.300 dólares).

Em sua opinião, o Chile é “um país bastante pioneiro” na massificação de tecnologias, como “a telefonia celular ou a internet”, o que explica de alguma maneira o sucesso do portal. Este ano, Memoria Chilena e seus sites associados tiveram 3,8 milhões de visitantes, com quase 29 milhões de páginas vistas. O portal da cultura chilena exibe números impressionantes: 876.988 páginas digitalizadas, assim como 2.524 minutos de áudio e 257 minutos de vídeo. No total, são 73.347 documentos, entre eles 57.694 artigos, 10.571 imagens (gravuras, fotografias, figuras, desenhos e pinturas), 2.607 livros e 1.186 revistas.

Além do mais, oferece 686 investigações próprias sobre história, literatura, artes, música e ciências sociais. É possível encontrar, por exemplo, relatórios sobre os bailes chilenos, o impacto ambiental da mineração ou a identidade nacional.

Uma das iniciativas mais destacadas de Memoria Chilena é Chile para Niños, dirigido a um público de 3 a 12 anos. Seu personagem principal, “Memoriosa”, guia os visitantes em seu percurso pelo portal.

Destaca-se também Memoria Chilena para Ciegos, que facilita a navegação de pessoas cegas por meio da utilização de um software leitor de tela.

Outro site associado ao Memoria Chilena é a Biblioteca Virtual del Bicentenario, criada para comemorar os 200 anos de vida independente que o país celebrou em setembro, onde é possível ter acesso a obras como La Araucana, de Alonso de Ercilla, escrita em pleno século XVI.

No portal, também são recriadas virtualmente salas da Biblioteca Nacional, cujo edifício localiza-se no centro de Santiago.

Na sala dedicada a Gabriela Mistral (1889-1957), ganhadora do prêmio Nobel de Literatura em 1945, podemos ver parte do enorme legado deixado pela poetisa. Trata-se de documentos que até 2007 estiveram em poder de sua falecida assistente norte-americana Doris Dana.

Este ano, foram criadas salas virtuais de imprensa e de música chilena, e estuda-se criar outra com materiais norte-americanos.

Por fim, Memoria Chilena oferece os portais Familias Chilenas, uma radiografia de distintos períodos da história e de regiões do país, e Memoria Educa, destinado a professores da educação básica e média.

“O desafio permanente do projeto é acrescentar conteúdo. Nossos usuários pedem”, explicou Krebs, que destacou a ênfase dada “a conteúdos mais vinculados à vida das pessoas do que aos grandes heróis”. “Isso tem tido muito êxito”, assegurou.

O governo direitista Sebastián Piñera também propõe que Memoria Chilena tenha um maior uso no trabalho educativo. “Estamos trabalhando com o Ministério da Educação para fornecer a professores e alunos parte dos conteúdos elaborados de modo a serem vinculados com os currículos”, sustentou Krebs.

Ainda, a médio prazo, pretendem disponibilizar versões em inglês e estabelecer mais vínculos com as redes sociais da internet, como Facebook e Twitter, entre outros desenvolvimentos tecnológicos.

“Esse é o grande projeto de biblioteca nacional digital” do país, resumiu Krebs.

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