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Telas latino-americanas buscam a cor da infância

by em setembro 1, 2010

por IPS • Emilio Godoy (México)

tradução de Mariana Marcoantonio

Leia aqui o artigo original em espanhol

Os produtores de programas televisivos infantis da América Latina lutam a cada dia com os poucos espaços disponíveis nas redes comerciais, a falta de financiamento e as leis que desestimulam essa atividade educativa e cultural.

“Não encontramos caminhos, nem legais nem de política pública, para garantir às crianças o exercício de seus direitos informativos”, explica a mexicana Irma Ávila, fundadora da Comunicación Comunitaria, ONG que estimula a liberdade de expressão e de informação.

Em 2003, Ávila criou o projeto Radio Bola TV, que difunde programas educativos para menores de idade através da internet. No ano passado, foi a primeira colocada no Prêmio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na categoria Melhores Práticas das Organizações da Sociedade Civil, por seu manual de educação para os meios.

Na América Latina, México e Brasil lideram a produção audiovisual para meninas e meninos.

O estatal Canal 11 mexicano transmite materiais para esse segmento da população elaborados por rádios e sinais televisivos universitários. No Brasil, destacam-se os canais privados TV Cultura e Futura.

“Em geral, a tendência das emissoras comerciais e públicas é seguir o modelo americano da Disney, pois se considera o mais bem-sucedido. Mostrar como quebrar esse modelo é nosso dever”, assinalou Susana Valleggia, presidente da ONG Nueva Mirada, da Argentina.

Valleggia dirige o Festival Internacional de Cinema “Nueva mirada” para a Infância e a Juventude, que terá sua nona edição entre 2 e 8 de setembro, em Buenos Aires.

Temas como o direito à informação e o conteúdo, a produção e a distribuição dos programas foram os eixos de “Apantallad@s”, o primeiro Festival de Niños y ½s de Comunicación, que aconteceu na capital mexicana entre 16 e 18 de julho.

O festival, organizado pelo governo da capital mexicana, pela Universidade Autônoma do México e pela ONG Comunicación Comunitaria, buscou aproximar o Estado da produção televisiva para as crianças da região. O encontro teve uma mostra de meios para meninas e meninos, um seminário sobre o tema, um encontro de produtores cinematográficos e uma exibição de filmes de 12 países.

“Há uma necessidade de que as crianças se vejam refletidas, uma televisão que as torne participantes e lhes dê voz”, ressaltou Hazel Jirón, coordenadora de Rádio e Divulgação da ONG Fundação Puntos de Encuentro, da Nicarágua. Entre 2002 e 2006, essa instituição não-governamental produziu e transmitiu a série Creciendo, que consta de 80 capítulos dirigidos à adolescência nicaraguense e que já foi vista nas telas da Guatemala, de El Salvador, Honduras, Costa Rica e da cidade de Miami, no sudeste dos Estados Unidos.

A ONG Puntos de Encuentro se prepara para iniciar a gravação de uma série provisoriamente intitulada Puerta azul, também dirigida a jovens, que abordará temas como os direitos econômicos, sexuais e reprodutivos, a migração e a diversidade sexual. Os primeiros 20 segmentos seriam exibidos em 2011. “As crianças são consideradas pelas redes comerciais de televisão unicamente como potenciais compradores, não como cidadãos com direitos”, salientou Claudia Rodríguez, diretora de conteúdos da Mostra Ibero-americana de Televisão Infantil, organizada anualmente pela Comissão Nacional de Televisão da Colômbia.

Um dos maiores obstáculos para os produtores de programas infantis é sua colocação nas redes privadas; por essa razão, precisam recorrer a esquemas criativos para ganhar seu horário na grade televisiva. Se uma organização internacional ou não-lucrativa pauta a publicidade, os canais podem assim montar a programação.

Na capital mexicana, dezenas de meninas e meninos se reuniram em abril em um congresso infantil sobre alfabetização audiovisual. Em sua declaração final, pediram respeito por seu direito à comunicação e a aprovação de leis que velem por melhores canais e programas televisivos.

No México, as redes privadas Televisa e TV Azteca dominam o espaço televisivo com uma programação que, em essência, oferece os mesmos conteúdos estereotipados e triviais, segundo as denúncias de organizações dedicadas a promover o direito à informação. “O problema não é o monopólio privado, mas sim a falta de pluralidade e de espaços para diversos setores. Não há direitos, não há espaços. Por isso, esse é um exercício de construção de cidadania”, argumentou Ávila.

De acordo com a ONG Comunicación Comunitaria, no México, os meninos e meninas entre 6 e 12 anos passam uma média diária de 4,5 horas na frente da televisão, às quais é preciso somar as destinadas aos videogames e à navegação na internet, ao lado das quatro horas que passam na escola, em aulas efetivas. Na Colômbia, os menores de idade passam cerca de três horas por dia na frente da tela, segundo Rodríguez.

Além do mais, os meninos e meninas mexicanos observam 39 anúncios de “junk food” por hora, ao lado dos 24 transmitidos nos Estados Unidos, dos 16 na França e dos cinco na Holanda, segundo a Comunicación Comunitaria e organizações de consumidores americanas.

No entanto, na região se está caminhando para vencer as barreiras históricas. Na Argentina, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, promulgada em outubro de 2009, estabelece a criação do Conselho Assessor da Comunicação Audiovisual e da Infância e do Fundo de Fomento Concursável para a Produção de Programas de Televisão de Qualidade para os Meninos, Meninas e Adolescentes. Na Colômbia, a Comissão Nacional de Televisão e o Ministério da Cultura criaram um fundo de 400 mil dólares para o programa Estímulos para a Produção de Televisão Infantil, pelo qual foram rodadas cinco séries para crianças. Segundo Rodríguez, a partir da pesquisa de necessidades e interesses do telespectador, foi projetado um modelo de produção para a televisão infantil.

O festival “Apantallad@s” contou com a presença de 52 produtores mexicanos e de 11 nações latino-americanas e aproximadamente 3 mil meninas e meninos da capital mexicana, nomeada para 2010 como a capital ibero-americana da cultura pela União de Cidades Capitais Ibero-americanas.

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