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“Os deuses são mais plurais que nós”

by em julho 1, 2010

por Juan Luis Sánchez

tradução de Janaína Marcoantonio

leia aqui o artigo original em espanhol

Padre argentino participa de marcha em prol do casamento homossexual

Na memória, Paco Bello: um padre canário que colocou uma bandeira arco-íris em sua igreja

O sacerdote Nicolás Alessio, centro da polêmica (Foto: La Mañana de Córdoba)

O padre católico argentino Nicolás Alessio participou, na quinta-feira passada, de uma marcha a favor do casamento homossexual pelo centro da Córdoba de seu país. No momento dos discursos, tomou a palavra:

“Isso é diversidade. Isso é colorido. Isso é beleza. Isso é alegria. Fantástico. Primeiro, quero pedir perdão por pertencer a uma instituição que não termina de se converter ao evangelho de Jesus, um Jesus que jamais condenou a homossexualidade e jamais condenou o casamento homossexual, e sim aos soberbos, aos poderosos, aos que discriminam”

Nicolas Alessio termina com uma reflexão: “os deuses são mais plurais que nós; são um arco-íris de diversidade.” São 8 minutos que desafiam a autoridade da Igreja Católica, concretamente a do chefe direto de Alessio, o arcebispo Carlos José Ñáñez, que já não sabe como manter essa ovelha desgarrada dentro do rebanho. Nos portais de informação católica, acusam-no de “indigno para exercer o sacerdócio” e conclamam a juntar assinaturas para que o Monsenhor Ñañez faça algo. “Os Kirchner e companhia estão empenhados em seguir os passos de Zapatero no caminho da engenharia social e pode ser que consigam que o casamento entre homossexuais seja uma realidade”, diz o mesmo crítico, referindo-se ao processo de legalização das uniões do mesmo sexo que acontece na Argentina.

Na Argentina, a Federação de Gays, Lésbicas e Transexuais conseguiu “a adesão de cerca de 17 sacerdotes católicos e algumas congregações religiosas de monjas”, conta Marcelo Márquez, que trabalha em assuntos religiosos para essa organização e com quem trocamos alguns e-mails.

Na Espanha, a bandeira arco-íris de Paco Bello

Na Espanha, é difícil encontrar na hierarquia católica um caso como o de Nicolás Alessio, e menos ainda durante o processo de legalização do casamento gay de 2005. A maioria dos religiosos que apóiam a igualdade das uniões pertencem a coletivos de cristãos de base. Mas há pessoas que lutam e deixam sua marca.

Um deles, Paco Bello, o padre canário que colocou a bandeira arco-íris em sua igreja no Dia do Orgulho Gay.

Igreja de La Garita, em Grã-Canária, presidida pela bandeira arco-íris no Dia do Orgulho Gay, 28 de junho, de 2008. (Foto: teldeactualidad.com)

Morreu no último 22 de novembro em Telde, Grã-Canária, onde oficiava nas paróquias de La Garita e Marpequeña. “É possível que para algumas pessoas esse nome não quer diz nada, mas para os crentes gays, lésbicas, transexuais e bissexuais significa  muito”, dizem os que lhe fazem homenagem, e recordam um momento especial: num domingo de Quaresma, Paco quis apresentar aos fieis de sua paróquia o grupo canário de crentes homossexuais. “Que grande surpresa nos deu”, recordam em seu blog o grupo de crentes homossexuais e transexuais de Grã-Canária, “quando, recém-começada a celebração, anuncia a toda a assembléia, com uma astúcia tipicamente canária, que esse sábado na missa se encontrava um grupo de ‘maricões e sapatonas’ (literalmente) que eram católicos. Ele conhecia muito bem a sua gente e sabia que ao nos apresentar com estas palavras removeria suas consciências e os prepararia para quando tomássemos a palavra; palavra que nos cedeu no meio do sermão. Não acreditávamos no que estávamos vivendo. A reação das pessoas que estavam na igreja foi maravilhosa.”

Em Cristianosgays.com também lamentam a morte recente, esta mesma semana, de José María Díez-Alegría, jesuíta e teólogo quase sempre critico com o Vaticano, que dedicou grande parte de sua vida a viver e reconstruir socialmente alguns bairros pobres de Madri que hoje não há quem não reconheça. O também teólogo Juan José Tamayo escreve sobre ele que “contribuiu para desdogmatizar e humanizar ambos os sistemas de crenças [o marxismo e o cristianismo], construiu pontes e buscou lugares de encontro”.

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